domingo, 2 de novembro de 2008

Rosa dos ventos

Mas...

O preto se fez branco, mas um branco morto, que se tornou, mais uma vez, em cinza. E veio o vento e levou o cinza, e o trouxe de volta e o levou novamente.
E assim voltamos ao ponto de partida. Seguimos para o Leste, para o Oeste, mudamos de rumo para o Norte e para o Sul e cá estamos novamente.
Um volta em círculos, como toda discussão e todo pensamento e toda filosofia. Sem parágrafo, ou vírgula, ou ponto final. Muito menos reticências. Acaba assim, sem mais nem menos, sem um nem outro, sem preto, branco ou cinza, com o vento somente.
E essa rosa dos ventos que seguimos, jogo-a fora. E quando ela é lançada ao ar pelas minhas mãos, vejo que a rosa dos ventos não é rosa, é vento. E então ela voa e vai e some, como todo vento, como toda filosofia, como todo pensamento, como toda discussão. Como o homem, que é vento, que voa, que cai, que se levanta, que vai, que volta, que morre e que, por fim, some. E assim acaba, com o vento. Somente o vento.
Então, adeus leitor, que agora vou como devo ir: Voando.

4 comentários:

Uriel Gonçalves disse...

que profundo.. e complicado, mas sutil e inteligente...


dificil escrever algo com tantas caracteristicas contrarias, parabéns.

Wagner disse...

texto complexo, mas com muito significado..

muito bom

abraçaoo

Gabriela Ventura disse...

seus textos em prosa são muito bons. faço votos para que persista.

;)

um abraço!

Nath disse...

é que o vento não segue trajetórias unidirecionais.

ele descompassa. faz a curva. leva e traz. e com ele, vêm de volta discussões, pensamentos e filosofias, mas com ares, cores e cheiros modificados.